O doce sabor, o doce gostoso, o doce só pra tomar um copo d’água gelado, o doce que represente memória, pertencimento, o doce que representa Juazeiro do Norte. Este afeto, você encontra no agora Museu Orgânico Casa do Doce João Martins, o tradicional doce de Madailton. O espaço fica na rua Santa Luzia, 545, o local é considerado o preferido para quem não abre mão daquele bom doce caseiro, fundado em 1965.

“É uma gastronomia folclórica de Juazeiro e do Cariri.”, afirma Alemberg Quindins, diretor de cultura do Sesc Ceará. O espaço de tantas memórias em Juazeiro do Norte, se transformou em Museu Orgânico, em 2023, foi o 11º dos 30 já inaugurados.
O primeiro museu orgânico inaugurado oficialmente dentro do formato da rede do Sesc foi o Museu do Ciclo do Couro – Memorial Espedito Seleiro, aberto em 19 de dezembro de 2014, na cidade de Nova Olinda. Dentro da programação da Mostra Sesc 2026, foi o inaugurado o 30º. O Museu Casa do Soldadinho-do-Araripe, aberto oficialmente em 22 de agosto de 2026 na cidade do Crato, na região.
“O território, os saberes, o fazer e a memória se conectam de forma que estudantes e pesquisadores aprendem diretamente com os mestres. É educação, cultura e memória acontecendo em tempo real”, explicou Alemberg. Já o presidente da Fecomércio Ceará, Luiz Fernando Monteiro Bittencourt, ressalta que “Os mestres não são apenas personagens de uma história que se pretende preservar. São protagonistas desse processo, compartilhando conhecimentos e mantendo uma relação entre o museu, a comunidade e o território.”

A iniciativa dos Museus Orgânicos busca valorizar espaços ligados aos mestres da cultura popular, reconhecendo suas casas e locais de trabalho como ambientes de memória, aprendizado e transmissão de conhecimentos. Nesse contexto, a Casa do Doce João Martins se destaca por preservar a gastronomia tradicional como parte do patrimônio cultural imaterial do Cariri.

Fundada por João Martins, a doceria ficou conhecida também como Doce de Madeilton, um cronista esportivo da cidade que levava amigos, e movimentava o espaço. Ao longo das décadas, o estabelecimento se consolidou como referência em doces caseiros e ponto de encontro de moradores e visitantes. A trajetória do estabelecimento também se relaciona com a história cotidiana de Juazeiro do Norte. O acervo reúne fotografias e lembranças que ajudam a contar parte dessa história, incluindo registros ligados ao futebol, uma das manifestações populares que marcaram a vida social da região. Atualmente, a administração permanece com familiares do fundador, que dão continuidade à tradição.
“Um amigo me falou sobre o projeto, eu recebi a equipe e levei para a família, e ai começamos o trabalho, inauguramos e estamos muito felizes com tudo isso.”, destaca Sebastião Manoel, genro de se João Martins, e atual gerente da Casa de Doces.
Este projeto chama atenção pois incentiva, ainda em vida, a manutenção da cultura e tradição do espaço, seja o doce, o couro, o barro, o artesanato, ou a biodiversidade. “Não é o Sesc que cria um Museu Orgânico. Ele simplesmente faz essa celebração que reconhece um lugar já orgânico, popular, de memória”, afirmou Alemberg.

Essa valorização através do projeto dos Museus ôrganicos, acaba incentivando outras políticas de preservação e valorização destes esepaços. Dois meses apois a transformação da Casa de Doces em Museu, a Prefeitura de Juazeiro do Norte declara o local como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade.
Essa transformação de algo cotidiano em Museu, além de valorizar exponencia o potencial de memoria, cultura e tradição de um espaço, arte, equipamento, que poderia ser apagado, ou perdido pelo tempo, ficando apenas na memoria de quem o conheceu.
Quer conhecer todos os 30 Museus Orgânicos do Ceará? Clica aqui e viaja pela tradição do nosso estado.
Texto por: Pedro Paulo Vieira
Fotos por: João Marcelo
