O Ceará registrou 10.942 mortes causadas por diabetes, doenças cardiovasculares, doenças respiratórias crônicas e neoplasias até maio de 2026. Os dados do Ministério da Saúde reforçam o impacto das doenças crônicas no estado e ganham destaque às vésperas do Dia Mundial da Segurança do Paciente, celebrado em 17 de setembro.
Do total registrado no Ceará, foram 5.475 mortes por doenças cardiovasculares, 4.036 por neoplasias, 812 por diabetes mellitus e 619 por doenças respiratórias crônicas.
O cenário faz parte de um problema de dimensão nacional. No Brasil, até maio deste ano, foram registrados 124.942 óbitos por doenças cardiovasculares, 93.889 por neoplasias, 22.163 por diabetes e 16.832 por doenças respiratórias crônicas.
Em 2026, a campanha do Dia Mundial da Segurança do Paciente, promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), tem como tema “Cuidados seguros para doenças não transmissíveis”, com o lema “Safe care for life!” (Cuidados seguros para a vida toda).
A proposta chama atenção para a necessidade de garantir segurança em todas as etapas do cuidado de pacientes com doenças crônicas, desde a prevenção e o diagnóstico até o tratamento, acompanhamento e autocuidado.
Doenças crônicas exigem acompanhamento contínuo
Câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e problemas respiratórios crônicos estão entre as principais causas de morte no mundo. Segundo a OMS, mais de 43 milhões de pessoas morreram por doenças não transmissíveis em 2021, o equivalente a cerca de 75% das mortes não relacionadas à pandemia naquele ano.
No Ceará, os números reforçam a necessidade de ampliar ações de prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo. Entre os fatores de risco modificáveis estão o tabagismo, o sedentarismo, o consumo nocivo de álcool, a alimentação inadequada e a exposição à poluição do ar.
Especialistas destacam que a segurança do paciente não está relacionada apenas ao atendimento hospitalar. Para quem convive com uma doença crônica, o cuidado pode se estender por anos e envolver diferentes profissionais, medicamentos, exames e unidades de saúde.
Nesse percurso, falhas de comunicação, erros no uso de medicamentos, atrasos no diagnóstico e problemas na continuidade do atendimento podem aumentar os riscos para o paciente.
A OMS estima que cerca de um em cada dez pacientes sofre algum dano durante o atendimento de saúde, sendo que pelo menos metade desses danos é considerada evitável.
Paciente também participa do cuidado
A campanha deste ano também reforça a importância da participação ativa do paciente. Entender a própria condição de saúde, saber como utilizar os medicamentos, comunicar mudanças no estado de saúde e esclarecer dúvidas com os profissionais são atitudes que podem contribuir para um atendimento mais seguro.
Além disso, consultas periódicas e a realização dos exames indicados podem ajudar na identificação precoce de doenças e na prevenção de complicações.
No Ceará, diante dos mais de 10 mil óbitos registrados pelos quatro principais grupos de doenças crônicas até maio, o alerta reforça que cuidar da saúde vai além de procurar atendimento apenas quando surgem sintomas. Prevenção, acompanhamento e segurança devem fazer parte de todo o percurso do paciente.
