Uma pesquisa divulgada na terça-feira (31) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indica que fatores sociais, como rotina familiar, custo dos alimentos e hábitos culturais, influenciam o consumo de alimentos ultraprocessados por crianças em comunidades urbanas brasileiras.
O estudo ouviu cerca de 600 famílias em três localidades: Guamá (PA), Ibura (PE) e Pavuna (RJ). Apesar de 84% dos entrevistados afirmarem preocupação com uma alimentação saudável, os dados mostram que, em metade das residências, esses produtos fazem parte do lanche das crianças. Em um a cada quatro lares, também estão presentes no café da manhã.
Entre os fatores apontados, está a concentração das tarefas de alimentação nas mães. De acordo com o levantamento, 87% das mulheres são responsáveis por comprar e servir alimentos, enquanto 82% também preparam as refeições. Entre os pais, a participação é menor nessas atividades.
O estudo também destaca o desconhecimento sobre o que são alimentos ultraprocessados. Produtos como iogurtes com sabor e nuggets foram frequentemente associados a opções saudáveis pelos entrevistados. Além disso, parte das famílias relatou não compreender os alertas presentes nos rótulos dos alimentos.
Outro ponto relevante é a percepção de preço. Para a maioria dos participantes, itens como refrigerantes, salgadinhos e sucos industrializados são considerados acessíveis, enquanto alimentos frescos, como frutas, verduras e carnes, são vistos como mais caros.
A pesquisa ainda aponta um componente ligado à experiência de vida das famílias, que associam determinados produtos a momentos de satisfação e acesso a bens antes considerados inacessíveis.
Entre as recomendações, o estudo sugere ampliar ações de educação alimentar, fortalecer políticas públicas voltadas à alimentação saudável e incentivar ambientes que facilitem o acesso a alimentos naturais, especialmente em comunidades urbanas.
